domingo, 3 de maio de 2009

Nós

As flores vermelhas assistiram a noite estranha ceder lugar ao dia, e aqui eram nuvens que rodeavam-se anunciando a tempestade. Pouco se viu do sol lá fora, mas o ar pesado era quente e as palavras não tinham força para atravessá-lo. O chão nos atraía mais, os olhares não se cruzavam e o silêncio era ruim. O beijo era de ontem, ainda. O hoje não era ainda nosso, e as flores não tinham culpa por exalar o cheiro do vazio de quem não era bem-vindo. Foi quando os olhares se cruzaram e, num abraço, o amor soprou os ventos pra longe e os raios de sol invadiram nosso lar. Nesse abraço eu sorri e ouvi sobre o teu medo. E num beijo, o amor venceu.

sábado, 2 de maio de 2009

Vento sul


Outrora o céu azul e os passarinhos, o verde vibrande dos morros e a doçura da areia que me serviu a construir o meu castelo... hoje faz-se nuvem, e a força do vento levou tanto! Que lamento pelos dias que não voltam mais, pela tranquilidade de uma brisa serena que acalanta a menina. Que saudade do sol, do cheiro das manhãs, das flores do caminho.. a tempestade levou o caminho, e que era tão certo e sólido se despedaçou. Ponho a culpa no vento sul, ele que se faz tão longe e vem misturar tudo por aqui. Saudade de uma felicidade infantil que não volta mais. Vontade de abraçar e sentir só o que se deve sentir, sem os entulhos que a tormenta espalhou. Quanta bobagem. Saudade do azul intenso me olhando, sem nada a pesar no coração.