Caminhas com teus passos certos, nem largos, nem ligeiros, como quem não erra. Teus olhos fitam algum lugar do horizonte, não me olhas, ignoras o meu pranto e a minha dor. Com qual despeito mudas assim a minha face, passas por mim a me ignorar? Que poder de estar aqui e em todo lugar, de entrar em todo espaço que há e transformar o que existe e o que não é. Te percebo e não te compreendo... Não entendo a tua forma, não sinto teu início ou o teu fim. Por natureza não podes não haver, serias até mesmo se nada fosse. Reinas em estado de graça, sempre imune, sempre ávido. Se caio em teus braços e esqueço-me de agora, me conduzes pela mão a lugares que sonhei, ao que já vivi, a beijos que já beijei, ao amor que me é tão único e só. Como fumaça ou a taça de que me servi, me fazes qual a embriagada que se passa nos sentidos. Como é forte esse amor, que saudade me arrasa ao chão, que medo do que será! E se não for, o que virá? És o cavalheiro misterioso que seduz com flor de plástico. A moça encantada se entrega e depois vê que passaste e continuastes teu caminho, nos mesmos passos, mirando o mesmo horizonte, indiferente a quem te olha com maior atenção. E a moça já não é mais a mesma depois que te encontra, arrasada pelas marcas que deixastes em seu corpo que era ainda jovial. O que fizestes com o frescor da juventude? Com qual frieza passas assim sem dó pela cidade, pelas vilas, pelas casas, pelas vidas? Quantos amores deixastes no caminho, sem que te vires a olhar o que sobrou? No fim de tantos dizeres, ninguém nunca te entendeu, meu caro. Pouco se passou desde que a continuidade dos teus passos indiferentes foi questionada, e fostes retirado da condição de compreendido para a mais incógnita das variáveis desse todo que é - porque é, até que se saiba dizer algo a mais. Pobre de mim. Eu que te sinto, eu, que te admiro e te temo não compreender. Quero que me consagres, quero que me faças melhor. Quero, enfim, que passes! Tu que não és nem homem nem Deus, és tu o tempo que não entendo, não enfrento, sobre o qual nada posso fazer.
sábado, 8 de novembro de 2008
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2 comentários:
um autêntico don juan mirrado.
se foi uma viagem na imagem...
então tu conseguiu???
:D
bjo, mari!
na verdade... algumas palavras ao tempo!
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